
Capítulo Dois
VOU TE CONTAR UM SEGREDO
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M
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eu pai,
Griffin, me ligou e avisou que seu contato disse que a vigilância sanitária
faria uma visita surpresa nos motéis da região e ele me mandou deixar tudo em
ordem. Houve uma correria no motel. Uma visita surpresa não era agendada de
nenhuma forma. Eles simplesmente chegam ao motel como se fossem os reis do
local e tentam te ferrar de todas as maneiras. Porque? Multas. Esse pessoal
gosta de implicar com os motéis mais ricos exigindo coisas as quais geralmente
são desnecessárias, tudo uma tentativa de atrapalhar quem trabalha honestamente
em um negócio lucrativo. Tudo para conseguir aplicar multas abusivas.
Vi meu pai crescer todos esses anos mesmo minha mãe sendo uma rocha
dizendo que aplicar o dinheiro em motéis não era uma idéia muito inteligente.
Vi meu pai passar dificuldade e driblar as dívidas. Ele é o que é devido ao
esforço dele e seus sócios, Nicky Stark, Stan Heywood e o sócio mais novo, o
“tio” Jesse Acklom. Eu nunca faria nada que pudesse prejudica-los,
especialmente meu pai.
- está tudo organizado? – perguntei para Sabrina indo até a portaria do
motel.
- sim senhor Kyle – falou Sabrina liberando um carro.
- ótimo, vou estar no meu escritório, qualquer coisa me liga.
- combinado.
Voltei para o escritório para me preparar para a noite porque ela seria
bem correria. Espero que não demore essa visita e que nada dê errado.
Enquanto esperava pela “Hora H” decidi digitar umas planilhas que
estavam em uma pilha em cima da mesa. Antes, fui ao frigobar e abri uma latinha
de refrigerante. Tomei um gole e comecei a digitar.
Fiquei distraído digitando essa tal planilha quando o telefone tocou.
Atendi olhando nas câmeras e vi que a vigilância tinha chegado. Eles já estavam
dentro do motel a um bom tempo.
- alô?
- me desculpe Kyle, tinha tanto cliente entrando e saindo que a vigilância
sanitária chegou e eu não consegui ligar antes para avisar.
- não tem problema Sabrina.
- Nicky, Stan e Jesse estão aqui.
- meu pai não veio?
- não. Parece que ele foi para o motel #3 resolver um problema lá.
- tudo bem, vou descer.
- OK – falou Sabrina desligando.
Sai do escritório e desci ás escadas. Ao chegar lá em baixo cumprimentei
Jesse, Stan e Nicky e em seguida cumprimentei os quatro fiscais que estavam lá
vistoriando.
Enquanto os fiscais olhavam por todos os lados, fazendo anotações eu
puxei assunto com Stan.
- meu pai não veio?
- não. Ele foi resolver um problema no #3.
- entendo – falei preocupado – eles encontraram alguma coisa errada?
- não e eu duvido que encontrem – falou Stan ficando para trás comigo.
Jesse e Nicky seguiram os fiscais.
- espero que esteja certo.
- é bom ficar preocupado – falou Stan – sinal de que você se importa o
suficiente.
- e como – falei respirando fundo.
- Vamos lá – falou Stan seguindo os vigilantes e eu fui com ele.
Depois de quase vinte minutos os fiscais finalmente terminaram e
conversaram entre sí por alguns minutos.
- encontraram alguma irregularidade? – perguntei.
Assim que fiz essa pergunta senti a mão de Stan passar em meu ombro.
Olhei para trás e ele sinalizou negativamente com a cabeça. Significa que eu
devo ficar calado. Foi o que eu fiz.
- está tudo certo – falou o fiscal me entregando uns papéis que eu
assinei.
- que bom – falei entregando de volta.
- desculpem pelo incomodo – falou um dos fiscais enquanto nós
acompanhávamos até a saída. Nos despedimos lá fora e os fiscais se foram.
- viu só? Tudo correu bem – falou Nicky.
- ainda bem. Meu pai me mataria se houvesse alguma irregularidade aqui.
Ele descontaria a multa no meu salário.
- eu já vou indo – falou Jesse.
- eu também – falou Nicky apertando minha mão.
- boa noite pra você – falou Stan apertando minha mão e indo embora com
os demais.
Voltei para dentro do motel e fui para meu escritório. Sentei-me lá e
voltei a ficar de vigia nas câmeras. Enquanto eu jogava um jogo qualquer no meu
celular. Fiquei entretido com aquilo e as horas foram passando. Depois de um
tempo o telefone tocou me dando um tremendo susto.
- pois não?
- Kyle aquele rapaz que te visita algumas vezes está aqui querendo falar
com você.
Quando ela falou isso eu dei um clique na câmera da portaria e dei um
zoom. Nesse momento percebi que era Stephen.
- pode deixar ele entrar.
- sim senhor – falou Sabrina desligando o telefone.
Respirei fundo e me levantei da cadeira. Nesse momento agradeci por meu
pai não ter vindo e espero fielmente que ele não apareça. Ele mataria Stephen
lá mesmo no motel se o visse e se ele soubesse que Stephen me visita quase
todas as semanas ele me mataria também.
Stephen é meu tio. Irmão adotivo de meu pai. Ele aprecia as vezes no
motel para me pedir dinheiro. Ele não trabalha e sempre que precisa ele vem ao
motel escondido do meu pai e pede dinheiro para mim. É claro que eu dou o
quanto ele precisa, todas ás vezes sem nenhum questionamento. Afinal ele é meu
tio e mais do que isso. Ele foi meu primeiro. Sim, Stephen tirou minha
virgindade no dia do meu aniversário de dezoito anos. Mer deixe te contar essa
história.
Meu tio Stephen e meu pai sempre se deram muito bem. Pelo menos até cinco
anos mais ou menos quando minha avó faleceu e em seu testamento deixou tudo
para meu pai e nada para Stephen. É claro que isso gerou uma briga de família
porque meu tio não entendeu o porque dele não ter ficado com nada. Meu pai
tentou ajuda-lo, mas Stephen é muito orgulhoso pra aceitar ajuda dele e meio
que falou umas verdades para meu pai. Os dois brigaram, a polícia veio e meu
pai disse que nunca mais queria ver ele em sua frente. E desde então ele não o
viu, mas eu sim. Pelo menos três vezes no mês.
Os dois são brigados a mais de cinco anos, mas eu nunca tive nada contra
o meu tio e no dia do meu aniversário de dezoito anos meu pai me perguntou o
que eu queria de presente e o que eu pedi foi que meu tio pudesse vir ao jantar
que ele tinha organizado para mim. É claro que meu pai não gostou nada e disse
não logo de cara. Foi então que eu disse que “ou meu tio vem ao jantar ou não
precisa fazer um jantar”.
Mesmo com seu orgulho ferido meu pai aceitou. Eu pedi que não houvesse
brigas e nem implicações e meu velho aceitou. Fiquei feliz por meu pai ter me
dado esse presente. Fazia quase dois anos que não via meu tio da época e eu
sentia falta dele. Meu pai tem quarenta e três anos atualmente e meu tio tem
trinta e quatro anos. Ele sempre foi o rebelde da família, filho mais novo é
assim. Ele nunca teve um trabalho de verdade e sempre gostou de farra e
bebidas. Meu tio é totalmente diferente do meu pai. Enquanto meu pai tem
cabelos pretos e olhos castanhos, meu tio tem cabelos no tom loiro escuro,
barba cerrada na mesma cor e olhos verdes.
Depois de um tempo procurando eu consegui entrar em contato com meu tio
e o convidei para o aniversário, mas ele disse que não viria. Eu não o culpava
por não querer afinal meu pai também falou coisas para Stephen. Coisas como
“você é o bastardo da família” e “você matou nossa mãe de desgosto”. Nenhum dos
dois eram santos nessa história, mas eu não me importava. Implorei para meu tio
vir e ele concordou.
No dia do aniversário ele apareceu naquele estilo largado. Sem terno com
roupa casual, seus cabelos desgrenhados. Meu pai e eles se cumprimentaram e a
noite toda conversaram o mínimo possível. Eles pareciam até homens grandes. Nesse
jantar veio muitas pessoas da nossa família. Minha tia, meu tio e até dois
primos. Além do irmão da minha mãe. Foi um lindo jantar e meu pai fez um
discurso em como ele estava orgulhoso de mim e do homem que eu tinha me
tornado. Além do mais ele me deu meu outro presente nesse dia. Um carro, que é
o carro que tenho até hoje. Minha mãe me deu de presente ás aulas de direção
que forma bem aproveitadas.
Depois do jantar todos foram para a área no fundo da casa onde tinha
churrasqueira, piscina e todos foram beber e conversar. Enquanto todos
conversavam e bebiam meu tio me chamou na coxinha e me entregou uma caixinha
com um broche.
- o que é isso? – perguntei olhando para a caixinha preta.
- não é grande coisa. Seu pai te deu um carro, mas isso foi tudo o que
eu consegui comprar com meu salário.
- não precisava – falei abrindo e vendo um broche com a bandeira dos
Estados Unidos.
- eu sei que seu sonho é se envolver na política – falou meu tio – quem
sabe quando você for presidente você não usa esse broche.
- Obrigado tio – falei abraçando-o.
- Por nada – falou ele – já vou indo.
- Não tio, fica.
- Preciso ir. Não posso beber. Estou de moto.
- você pode dormir aqui.
- não, deixa. Seu pai não vai gostar que eu fiquei.
- ele não tem que gostar. Você é meu presente.
- como assim?
- meu pai me perguntou o que eu queria de presente e eu disse que era
que ele deixasse que você viesse a esse jantar.
- sério?
- claro. Tive esperanças de que talvez esse jantar desse um fim a essa
briga.
- seu pai sempre foi cabeça dura e eu não vou dar o braço a torcer.
- eu sei, mas quero que durma aqui. Mesmo que você não façam ás pazes.
Faz dois anos que não te vejo Stephen.
- Se o sue pai deixar, eu fico. Não quero ficar aqui se ele não quiser.
- tudo bem. eu vou pedir. Espera aqui.
- OK – falou Stephen bocejando.
Sai da cozinha e segui pelo lado da piscina. Alguns primos tomavam banho
e meu pai conversava com meu tio Ryan, irmão de minha mãe.
- pai posso falar com o senhor?
- claro – falou ele se levantando e vindo até mim.
- meu tio Stephen quer ir embora e…
- ótima. Diga pra ele não voltar.
- por favor pai. Isso é jeito de tratar seu irmão? Você não é homem não?
Deixa de bobeira e implicância. Meu tio quer ir embora, mas eu quero que ele
fiquei e passe a noite. Ele só aceita se o senhor deixar. Vai deixar ou vai
ficar de palhaçada?
Essa foi a primeira e única vez que desrespeitei meu pai. Ele não gostou
nada do que tinha falado, mas percebeu que as vezes o filho está certo.
- tudo bem. Diga que ele pode dormir no quarto de hospedes.
- obrigado. Me desculpa por…
- tudo bem – falou meu pai se virando e foi até o tio Ryan para
conversar. Meu pai nunca foi o tipo carinhoso que gosta de tocar as pessoas.
Ele só me abraçava e me dava beijos no dia do meu aniversário e só uma vez. Ele
não gostava desse tipo de coisa.
Voltei até a cozinha e meu tio estava lá parado.
- meu pai disse que tudo bem.
- tem certeza?
- tenho sim.
- OK – falou ele.
Fui até a geladeira e peguei uma cerveja e entreguei a ele.
- beba tio. Fiz dezoito anos. É algo que deve ser comemorado, certo?
Afinal agora eu sou homem.
- mas não pode beber. Você ainda não tem vinte e um anos.
- isso é verdade, mas eu me contento com refrigerante e além do mais eu
bebo desde os quinze anos, só que não na frente do meu pai e da minha mãe.
- malandro – falou meu tio bebendo sua cerveja.
- que nada – falei tomando um gole do meu refrigerante.
- e as namoradas? Pegando todas?
- mais ou menos.
- pega ou não pega?
- claro que sim, só que não gosto de namorar – falei tentando fugir do
assunto. Não queria me assumir para meu tio afinal eu gosto muito dele e a
opinião dele importa pra mim e se ele não me aceitar será uma péssima lembrança
de aniversário. Dessa forma tratei de fugir desse assunto e meu tio e eu
conversamos até altas horas da noite.

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